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Beatriz Azevedo abraça o sol

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     Muito cedo me encantei pelos meandros poéticos e sonoros, numa de minhas crônicas mais recentes, dedicada ao cd PartimpimII, de Adriana Calcanhotto, tirei do baú o antológico livro de poemas de Cecília Meirelles Ou isto ou aquilo, uma ode ao esplendor lírico extraído das miudezas do mundo infantil. A musicalidade ecoa intensa de poemas que utilizam uma linguagem permeada de referências a elementos da natureza - o vai e vem que conduz o ritmo das águas dos rios, como A Correnteza de Tom, as aquarelas luminosas e multicromáticas que seduzem as crianças no prosseguimento de um percurso infindo: “Olha a chuva molha a luva/cada gota de água/como um bago de uva”. Estou no processo de escrita de minha tese de doutorado sobre Calcanhotto, e continuamente me pego desenrolando novas idéias sobre essa artista, até mesmo no circuito alternativo, não acadêmico. Escritos de “fã fanática”, devem pensar alguns, contudo esclareço que o que mais me atrai no seu trabalho transcende a limitação do enquadramento mercadológico, o ponto diferencial que me toca é o apuro estético e a relação densa que ela estabelece com o universo poético. 
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O menino que coitou-se

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nascido em Cascadura (bairro mais trash do Rio). Filho de Penia Jackson e Poros Jackson. desde sempre Michael tornou-se um Eros amputado. uma Sandy amulatada. sim. renegava a todo custo a malícia paterna. sim. era todo pobreza-mamãe. sem astúcia seu reino situava-se onde tudo era menos (músculos, pêlos, nariz). daí tornou-se um ninja de si mesmo. a todo custo resguardou-se do mundo (máscaras, luvas, guarda-chuvas). enfim. cinqüenta anos se passaram e o pobre que coitou-se morreu de dó e de dor. aliás. não foi sequer um defunto de corpo presente. é. ninguém pode achar aquele que se escondeu atrás de si mesmo.
 

Casal de Uns

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nunca o não acontecido. alguém insinua.
perdidos são os olhos da procura.
desconhecidos – os gestos – apresentam
a ordem dos talheres. a entrada é quente,
sempre é quente. é mal etiquetado lamber
as beiradas dos pratos. o tempo é uma dis-
tensão artificial criada para driblar
a mimese no raso da memória.
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AntiOde para Ray Bradbury

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I
Talvez porque aqueles 
De quem outrora aprendi a brigar por liberdade
De quem outrora aprendi o valor da lucidez
De quem outrora aprendi a vida dos livros
De quem outrora aprendi paz e amor

Talvez porque aqueles estejam hoje descansados septagenários
Talvez porque estejam mesmo em casa guardados por deus contando o vil metal

Talvez porque apenas estejam sem rumo desde quando o muro caiu

Talvez porque hoje apenas redijam pequenas notas interprerativas para as efemérides do muro que caiu

Talvez porque deem curtas declarações sobre o muro que caiu como a um repórter inconveniente que pergunta por um amigo que morreu

Talvez porque preencham formulários e panegíricos
E talvez porque preencham formulários e panegíricos sejam chefes, diretores, presidentes
Do clube da seção e da nação

Talvez porque tenham se espantado um pouco quando o segundo avião acertou o WTC
Talvez também porque tenham tremido um pouco quando o segundo avião acertou o WTC
e se lembraram de um dia com as crianças ou com a namorada ou com as crianças e com a namorada das moedas que depositaram nos binóculos automáticos para curtir o panorama de Manhattan do topo do WTC
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Antiode para a senhorita carnaval

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para toninho professor

não basta
louvar as antigas marchinhas de lamartine
braguinha

não basta
ouvir o som da bateria
dos velhos sambas de silas e mano décio

não basta
cantar sob as vestes das colombinas
os antigos corsos e batalha de confete

o bloco de sujo o zé-pereira

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Daniela Aragão entrevista Cristiane Visentin

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Depois de passar quase uma década nos Estados Unidos cantando o repertório da música popular brasileira e composições próprias, a cantora, compositora e violonista Cristiane Visentin retorna ao Brasil com uma bagagem enriquecida pelo contato com grandes músicos do cenário nacional e internacional. Tivemos uma conversa super agradável em que Cristiane relembra os primórdios da carreira em Juiz de Fora, os festivais, as parcerias e os projetos atuais. Confiram abaixo:

Daniela Aragão: Quando a música apareceu em sua vida?

Cristiane Visentin: Falar sobre isso é falar como todo mundo fala, desde que eu me entendo por gente. Fica até engraçado falar isso (risadas), eu não gosto muito de usar frases muito comuns, é isso aí, essa é a minha verdade. Eu tenho uma influência muito grande por parte da minha mãe, ela também cantava, foi cantora de rádio, não rádio em nível nacional, mas cantava na rádio da cidadezinha dela. Foi podada pelo pai, que era músico também. Depois ela resolveu casar com meu pai e assumir a família, e não mais se dedicar a música. 

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