TextoTerritório

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Mariinha, o cônego e o doutor

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Mariinha disse quando foi ao confessionário da Igreja. O cônego era ser amigo já de alguma data. Com os proverbiais segredos de alcova e sacristia, se entendiam às maravilhas. Se o padre dava a extrema-unção e acalmava a consciência pesada das moças; Mariinha, a grande senhora, oferecia de seus préstimos e de suas pupilas, é claro, para as pequenas obras da igreja e era quem fazia a ceia do natal de jesus cristinho da casa paroquial.
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monóstico de arthur

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pode arthur o monóstico das parelhas

ao inventar navios que não singram
por mares extratos de mundos afora
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a voz do anjo 8

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quem ali cede aos movimentos
dos mínimos ritos sacrificiais
cede os seios, a boca, a vida

a cama – rosa dos tormentos –
quê das noites dúcteis demiúrgicas
colinas que empilho no sonho
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Mulheres que damos 2

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Ai, essas mulheres! Gostaria de ter sido o retrato, mesmo que pálido delas. Falei outro dia da Capitu e da vida de desregramento que deve ter vivido na Europa, com aqueles seus olhos misteriosos. Hoje, a lindinha da vez é a Rita Baiana, mulata das boas práticas licenciosas, que endoidou o Jerônimo, português babaca que com ela aprendeu a arte da cachaça e da trepada. 

Rita Baiana, pelo que li naquele livro tão preconceituoso, salva a história, com seus requebros porque é apenas ela quem ainda nos ensina alguma coisa sobre o comportamento cotidiano de ser mulher. Trabalha, é independente e dá para quem quiser e ainda leva o portuguesinho no laço, em brasas por ela. 
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Mulheres que damos 1

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Mulheres que damos é o título geral que darei a esses meus escritos, misto de apreciação das leituras que vim fazendo ao longo da vida em que fui uma espécie de pin up até mais ou menos meus vinte e dois anos; ao longo da vida adulta, quando meu passatempo preferido era o sexo – tantos foram os homens, ai, meu Deus! – e agora, quando ainda leio sentada na minha poltrona, neste quarto em que hoje moro.

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O Abraço

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A moça de batom vermelho espera a sua vez e se levanta.

A moça de batom vermelho, vestido rendado fica com a sua mão direita no vácuo.

A moça de batom vermelho, vestido rendado, colar de pérolas recebe um abraço singular.

A moça de batom vermelho, vestido rendado, colar de pérolas e cinto marrom caminha sob o acaso,

onde num abraço preliminar foi desejado um bom ano novo, felicidades, foi agradecida secretamente a sua companhia

e ainda foi dito bem baixinho em seu ouvido:

"M-O-Ç-A"

A esperança ainda reanima um coração dilacerado

enquanto a mão direita do vácuo da moça de batom vermelho, vestido rendado, colar de pérolas e cinto marrom

repousa carinhosamente no ombro "ainda" desconhecido.

 


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