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Home Literaturas Poesia (174) Psicologia de um fudido

(174) Psicologia de um fudido

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eu, neto bastardo de um negro fudido,
fantasma de indignação e destemperança,
morto, desde os primórdios da infância,
sem comprimido que dê alívio.

barbaramente esquecido,
neste antro de mofo e repugnância
perdido nas amarras da ciranda
não há senão o labirinto.

já a epiderme -minha sina-
um amontoado de chacinas
alimenta-se de toda guerra,

circula-me a morte-novelo
nunca existi senão à esmo
nunca vou senão à merda!
Comentários (2)
2 Sex, 17 de Julho de 2009 23:12
Alexandre Faria
Sim, Oswaldo, acho uma forte paródia que reposiciona coletivamente o EU de AA, numa perspectiva bem contemporânea, que não cede ao "mulato sabido" (aquele do pronominais do Oswald), nem ao insuportável politicamente correto anódino que querem nos enfiar goela abaixo. A conclusão do último verso tem a ver com aquele "abraçado ao meu rancor" do João Antônio. A poética não deixa a dever ao "Bandalheira" do Aldir.
Já os dois primeiros versos da terceira estrofe são primorosos pela intensidade e concisão.
1 Seg, 13 de Julho de 2009 20:21
Oswaldo Martins
Gosto muito deste poema.

Oswaldo

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