"... aqui estamos procurando compreender o que aconteceu entre homens que vivem entre livros, com os livros, pelos livros." [UMBERTO ECO: O Nome da Rosa]
1. O COBRADOR
Que durante
Três vezes catorze
Gerações
Se impôs a paga
O imposto era a palavra
Justa o mote
Exato
E quem então
Nela se excedesse pagaria
Com a própria cria
Pelos nomes que não
Fossem leis.
E tão altos os custos
Impostos
Que três vezes catorze
Gerações
Não os pagaram
E os nomes mal
ditos leis males
critas minguaram
Ilegíveis
Relegadas ao esquecimento
Que o cobrador
Escolhido combate,
Ao povo contando
As novas segundas leis.
E o homem
Filho do caos, lupus
Homini
Gerou a palavra
Exata, mot e
Justo que gerou
a luz que
Gerou a jus
tiça que por três
Vezes infinitas
Gerações só um cobrador
Para nos recobrar da
Dívida.
2. PREPARAÇÃO
E agora João
Prepara o caminho
Inicia os
Que não sabem o que dizem
Perde as contas
De quantas cabeças
imersas
de
Jordão
atônitas
vertidas
em mudos sinais
Convertem-se agora
Pelas mãos batistas
Ao reconhecimento
Dos nomes e lugares
Dos números
Que lhe expiam
As dores babélicas.
3. REVELAÇÃO
Anuncio, segundo a ordem,
O nome da casa
Se querem saber mais
Teófilos
Deixem a terra
Economizem
(de-morem nos livros)
Paguem o preço de ser.
4. VERBA
No princípio era o verbo
E dele fez-se o homem
E o homem feito
De verbo fez um meio
De desfrutar a cara
Metade
Dela fez um fim
Desfez-se da costela
E ei-la feita razão
Nas dobras do verbo fêmea
Filha e mãe multi
plicando o furto
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