Nos esbarramos
corpos mortos
na intimidade – possível
– do sanitário dividido
: a doença que não separa
a seara de nossos equívocos.
A pasta é a mesma;
as escovas, não.
A manteiga, a garrafa de café,
o leite, o pão...
Nossos ossos e o fosso:
a mesa é o abismo que
nos une.
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Esse seu conjunto é muito bom, lembro que demorei a sacar (como já é normal pra mim em relação às suas coisas hahahaah), mas achei excelente. =)
Quanto à estrofe que parece que "não é sua", eu acho que cabe uma subversão aí. Nem que seja das coisas que estão em cima da mesa. lol
é texto em construção do "casal de uns" - que sei lá se um dia sai em papel. Há uma série de textos, ainda, pra serem mexidos lá. Mas tem, sim, uma marca do que já foi feito. Mas nunca tinha saído pra outras - muitas, algumas - vistas. Gosto do texto e da seqüência que vem dele, continuando as neuroses das relações de conjugo. Bom que, pelo menos, em uma estrofe não me identifica... espaço para outra exploração. O caído é ter que ficar correndo de Drummond... =^)
Elas têm sim esse aspecto de forças mais simples - como você mesmo disse - mas trazem também marcas da sua linguagem, sempre em tensão: "a doença que não separa / a seara de nossos equívocos".
Gostei desse texto, principalmente das duas primeiras estrofes. A terceira estrofe me surpreendeu, eu jamais diria que ela é sua. Mas o final volta com sua cara mesmo, "o abismo que nos une" =)
Gostei também da sutileza do título, o que, afora a conotação religiosa, dá um teor nostálgico ao texto. Tipo: esse cara tá falando de algo que se perdeu...