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Nos esbarramos

corpos mortos

na intimidade possível

do sanitário dividido

 

: a doença que não separa

a seara de nossos equívocos.

 

A pasta é a mesma;

as escovas, não.

A manteiga, a garrafa de café,

o leite, o pão...

 

Nossos ossos e o fosso:

a mesa é o abismo que

nos une.

Comentários (5)
5 Sex, 17 de Julho de 2009 17:32
Laura Assis
Claro, "Casal de uns". Sabia que já tinha lido essas paradas. Gosto muito daquele do saleiro, que não vou lembrar o nome nem o resto.
Esse seu conjunto é muito bom, lembro que demorei a sacar (como já é normal pra mim em relação às suas coisas hahahaah), mas achei excelente. =)
Quanto à estrofe que parece que "não é sua", eu acho que cabe uma subversão aí. Nem que seja das coisas que estão em cima da mesa. lol
4 Sex, 17 de Julho de 2009 17:03
André Capilé
Pois, Laura
é texto em construção do "casal de uns" - que sei lá se um dia sai em papel. Há uma série de textos, ainda, pra serem mexidos lá. Mas tem, sim, uma marca do que já foi feito. Mas nunca tinha saído pra outras - muitas, algumas - vistas. Gosto do texto e da seqüência que vem dele, continuando as neuroses das relações de conjugo. Bom que, pelo menos, em uma estrofe não me identifica... espaço para outra exploração. O caído é ter que ficar correndo de Drummond... =^)
3 Sex, 17 de Julho de 2009 16:57
Laura Assis
André, isso é recente? Porque ele me lembra umas coisas suas que - acho eu - são mais antigas, como "Funcionário funcional" e "Descoberta".
Elas têm sim esse aspecto de forças mais simples - como você mesmo disse - mas trazem também marcas da sua linguagem, sempre em tensão: "a doença que não separa / a seara de nossos equívocos".
Gostei desse texto, principalmente das duas primeiras estrofes. A terceira estrofe me surpreendeu, eu jamais diria que ela é sua. Mas o final volta com sua cara mesmo, "o abismo que nos une" =)
2 Sex, 17 de Julho de 2009 15:31
André Capilé
ô meu bom... tua percepção é sagaz e no nó. inclusive com o título, que sim, remete ao sagrado - no caso, na sua percepção, na nossa - do que foi o sagrado das relações... o sentimento ágape - também amor - perdido dos banquetes que não são realizáveis mais. É uma tentativa, entre muitas, de tentar me mover nessa correnteza emergentes das "forças simples" do poema.
1 Qui, 16 de Julho de 2009 16:31
Alexandre Faria
Perfeita percepção da anti-tragédia que é a vida contemporânea!
Gostei também da sutileza do título, o que, afora a conotação religiosa, dá um teor nostálgico ao texto. Tipo: esse cara tá falando de algo que se perdeu...

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