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Home Literaturas Poesia fecho éclair (mexido)

fecho éclair (mexido)

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desabotoa-toa
– ô lua ô loa –
a roupa, a sandália.

punheta-me-ame. arme
na minha cama. siririca
apêndice entrepernas.

traz sua boca. me
lambelambe sujalangue.
muda. o beijo oco.

atenua-nua-nua.
nuance relance
perfume realce.

cócega cega. vai!
dá mais um pouco
de brilho branco –
corta-septo – e deixa
fanha a fala falha.

e é.
e vem.

não come mel;
mastiga abelha.

sortilégio sacrílego
no corpo chafurdado.

depois pensa:

“era pra ter comido,
mas deu foi chabu”.
Comentários (5)
5 Ter, 21 de Julho de 2009 23:54
Oswaldo Martins
André, Alexandre, tentem ler sem os três versos: à toa / a loa / à lua. O desabotoa/ a ropua / e a sandália já sugere o movimeto que se quer no verso. Talvez a presença do à toa é que tenha me dado a impressão de que não fosse necessária a repetição, pois a negação do desabotoa se dá com força no final do poema. Além de o à toa dar uma sensação de que não se espera outra coisa senão a brochada o que enfraquece a brochada, se me faço entender.
Aliás, o poema é bom.
4 Ter, 21 de Julho de 2009 04:42
Alexandre Faria
Acho que entendo o que o Oswaldo apontou da seguinte forma: a sonoridade orienta a construção da estrofe, mas em nome dessa busca, o sentido perdeu força. Justo diferente do citado "deixando fanha a fala falha".
3 Sáb, 18 de Julho de 2009 21:48
André Capilé
Sim, Alexandre... mais uma peça do "casal de uns". Todo o jogo de tensões é conectado a essa superficialidade, descaso dos afetos e das afecções... mas de contraparte há todo corte das aflições do aceite, da ficada, da permanência, dos etcéteras das maquinações do afeto.
Oswaldo, o lance de sons da primeira estrofe é uma promessa que não vai ser cumprida. É toda uma evocação - e as vezes espero, mas nem sempre realizo, também uma provocação - com a nossa cantarolice lírica. Uma construção melopaica "deixando fanha a fala falha", que falha em um espaço sem linguagem, essa coisa de bicho que, ao fim e ao cabo e afim do cabo, é uma trepada (oas e uas). Não sei se me explico, e verdade... nem sei se entendo assim tb. =^/
2 Sáb, 18 de Julho de 2009 19:02
Oswaldo Martins
Chamo a atenção, também, Alexandre e André, para a construção da primeira estrofe. Não creio que traga ao poema informações sonoras válidas, isto é, a repetição do oa com a variação ua de lua me parece por demais sonora para o delírio do poema da viagem que o poema faz.
1 Sáb, 18 de Julho de 2009 11:00
Alexandre Faria
o jogo verbal é excelente, sobretudo porque sugere o erotismo que a narrativa nega. Acho que a narrativa debocha do próprio erotismo. É do casal de uns também? O "não come mel, mastiga abelha" é excelente pela sugestão contrária ao desfecho.
Mas de novo o mesmo destaque para a superficialidade e o descaso das relações afetivas(?). Está mais para aflitivas.

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