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Home Literaturas Conto Doméstico

Doméstico

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Espio no estreito e vejo bolhinhas... bolhinhas de miragem, suadas.
E vou ranzinzanzando insalubre, com o cantil cheio – até a boca – de água salobra e o pé descarnado por asfalto quente.
“Iagogogo” – o gago grito chama. E soluço. E balbucio: – Sim?
Escorro balouçando minha cangalha. A carcaça bugingango fantasma. Passadas de alegoria. Seguir o anúncio sem luz. Evoluções apressadas em bateria de entrada...
... e fui, aos passos pares, cambalhoteando pelos cantos transpirados da antes – aposto um quinhão! – poeirenta (agora lamacenta) saleta.
Num relance fito espelho. Transluz a baixa luz do sol das cinco que entra fortuitamente pelas frestas da janela descerrada. Relâmpago sereno cortafio o frio vento e se arremessa cândido, no meu rosto e cabelo, junto à relva patinada do sinteco. O lugar cheira a vinagre antigo.
Embrulhados numa sacola parda de papel e tira plástica estão juntos meus bons melhores trapos.
A velha arara e seus cupins, na qual dependurei a pertença, foi que ajeitei os jornais velhos.
Criei-me doméstico.
O interno mofa as lembranças. Saber de dentro, as janelas, é o que me permite chamar de lar.

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