André de Freitas Sobrinho
Iolanda cantava um laiá descompassado. Costurava pés torturados pela avenida do bairro no chão de barro. Ia pelo caminho do rio das choradeiras. Mãos duras de desafogar as mágoas afogando anáguas e batendo na pedra seus calos. Cada peça estalava muda. Ela lá.
Cascalho que era bom: nada... via ir de correnteza abaixo. Batia peça como batia cabeça. Sorria cáries criadas. Ioiô sempre era de laiá, de bom dia, boa tarde e sempre. Paisagem de vida inteira para todas dali. Desafogava; afogava; esticava o corpo; estirava o resto. Sabia quando já tudo seco estava. E quando já era as horas despontavam brilhando como pôr-de-céu. Se o caminho sempre era o mesmo, sobrava então caminhar de volta. Só queria caminha e mais nada.
Chorava um bocado dos calos como faz o cavalo reclamando da cela depois de sentado.
E quando chegava, bronzeada...ai ai. Bronqueado ele caía de porrada em tudo que era canto e lado. Cria desfeliz da vida embriagada. Sucessivos e ininterruptos insucessos. E queria, sempre querendo. E bem tentava, mas era sempre tomba com a tromba no chão. Não satisfeito corria de correia e mais batia. E batia. E batia. Ioiô afogava, esticava, estirava; e o pifão se portava pudico fingindo insaciado. Sempre trepava mais um estupro suado, dizendo: “... assim... é... meu amor!” E as criancinhas sempre assistiam a tudo de camarote.
Um dia brincando de casinha fingiram os filhos que aquilo em volta do pescoço de Iolanda era apenas mamãe brincando de ser um imenso iô-iô.
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