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Happy hour

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André de Freitas Sobrinho
Noite de copos e corpos suados se percebendo sob a luz de meia lua no céu de anunciada tempestade veraneia sacodem a poeira acumulada trocando olhares farpados. Um chope preto e encorpado acompanhado de calabresa e aipim frito: o pedido feito. Olhos coçam um charme forçado e as mãos no cabelo mais o caimento com as costas quase deitadas na cadeira fazem parte do relaxamento retesado.

Vê delicatéssen insinuambulando mesa a mesa fartenfadada pernamovendo nuvenavegando por órbitas carentes. Descrente dente a dente perpassa a língua roxa al dente em lábio embaixo fino enquanto o pau pula duro roça-coçando o zíper do jeans apertado pela mão sufoco sudorese, que em momento outro acena um: “vem cá”. O garçom se aproxima. Torpedeia tremelicando guardanapo rabiscado tipo elogio ilegível e um: “quanto é?”... aguarda de guarda e guarda a saliva na glote antes que babengula ou bebacuspe.

Ela toda unhas grandes pelo papel – passeando os dedos no decote – sugere um sim sob a luz amarela e quente da estilosa bodega. Preparado para o decoro das relações informais do livre mercado das intenções de duvidoso gosto arruma a cara e seleciona uma boa fábula pra não ter de enredar nenhuma chicana. Vem e ele levanta-puxa-empurra a cadeira mostrando-se gentil. Aceitando a gentileza ela debruça o busto – apoiada em cotovelos – e fala estilo brisa bem perto da orelha. Levanta-se sozinha. Caminha estilo de volta até próximo ao balcão e com uma gargalhada estrepitosa beija o copeiro na boca. Mais um chope preto ele pede. Levanta e paga com o dinheiro do engano. É mais um começo de noite na semana.

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