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Estranha Metafísica

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Para Oswaldo Martins

 

É estranha a metafísica dos corpos
Se entregam ao gozo como se o ser
E o nada se não fossem indiferentes
Irrelevantes ficassem depois

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Mariinha, o cônego e o doutor

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Mariinha disse quando foi ao confessionário da Igreja. O cônego era seu amigo já de alguma data. Com os proverbiais segredos de alcova e sacristia, se entendiam às maravilhas. Se o padre dava a extrema-unção e acalmava a consciência pesada das moças; Mariinha, a grande senhora, oferecia de seus préstimos e de suas pupilas, é claro, para as pequenas obras da igreja e era quem fazia a ceia do natal de jesus cristinho da casa paroquial.
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monóstico de arthur

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pode arthur o monóstico das parelhas

ao inventar navios que não singram
por mares extratos de mundos afora
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Janeiro Poente

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prólogo: OLHO D'ÁGUA

este samba é só porque
minha terra tem primores
mulata palmeira guanabaras
sabiás braços abertos
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Mulheres que damos 2

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Ai, essas mulheres! Gostaria de ter sido o retrato, mesmo que pálido delas. Falei outro dia da Capitu e da vida de desregramento que deve ter vivido na Europa, com aqueles seus olhos misteriosos. Hoje, a lindinha da vez é a Rita Baiana, mulata das boas práticas licenciosas, que endoidou o Jerônimo, português babaca que com ela aprendeu a arte da cachaça e da trepada. 

Rita Baiana, pelo que li naquele livro tão preconceituoso, salva a história, com seus requebros porque é apenas ela quem ainda nos ensina alguma coisa sobre o comportamento cotidiano de ser mulher. Trabalha, é independente e dá para quem quiser e ainda leva o portuguesinho no laço, em brasas por ela. 
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Mulheres que damos 1

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Mulheres que damos é o título geral que darei a esses meus escritos, misto de apreciação das leituras que vim fazendo ao longo da vida em que fui uma espécie de pin up até mais ou menos meus vinte e dois anos; ao longo da vida adulta, quando meu passatempo preferido era o sexo – tantos foram os homens, ai, meu Deus! – e agora, quando ainda leio sentada na minha poltrona, neste quarto em que hoje moro.

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