Le Dormeur du val
C’est um trou de verdure où chante une rivière
Accrochant follement aux herbes des haillons
D’argent; où le soleil, de la montagne fière,
Luit: c’est um petit val qui mousse de rayons.
Um soldat jeune, bouche ouverte, tête nue,
Et la nuque baignant dans la frais cresson bleu,
Dort; il est étendu dans l’herbe, sous la nue
Pâle dans son lit vert où la lumière pleut.
Les pieds dans les glafeuls, il dort. Souriant comme
Sourirait um enfant malade, il fait um somme:
Nature, berce-le chaudement: il a froid.
Les parfums ne font pás frissonner as narine;
Il dort dans lê soleil, la main sur as poitrine
Tranquille. Il a deux trous rouges au côté droit.
( Arthur Rimbaud – Octobre 1870)
Ao soldado que dorme
É uma cova de relva onde canta um rio
Lançando louca sobre a grama maltrapilhos
De prata; onde o sol da montanha tece um fio
E desenha este vale que espuma de brilhos.
Um infante dorme, cabeça nua, boca aberta
Banhando a nuca na fresca e rubra luz
De ouro; inerte na grama sob a nuvem alerta,
Pálido em seu leito verde onde a chuva luz.
Com os pés na espanada, dorme. Sorrindo tranqüilo
Como sorriria uma criança enferma; tira um cochilo:
Ó natureza, embale-o com o calor: ele sente frio.
A suas narinas todos os perfumes, vãos;
Ele dorme ao sol; sobre o peito cruza as mãos
Quieto. De seu ventre o sangue corre como um rio.
(Versão de Alexandre Faria)
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