TextoTerritório

  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

Dodecaedro - Caio Fernando Abreu

E-mail Imprimir PDF
Avaliação do Usuário: / 0
PiorMelhor 
Não sei se tive medo - dos cães, da noite, dos corpos - ou se apenas queria que me vissem. De alguma forma, pensava confuso que jogando luz sobre a cozinha outra vez nos olharíamos nos olhos. Parecia importante saber se a mão no meu cabelo pertencia a Pedro ou a Virgínia, se a boca contra a minha cara era de Júlio ou de Martha e assim, pensei, também os outros. Para que soubéssemos, acho, da exata medida e intenção de cada toque em cada membro, foi que acendi a luz. Assim como um filme que de repente pára, todos me olharam imobilizados no que faziam. Eu era o centro móvel do que começaria a acontecer no próximo momento.
(Abreu, Caio Fernando. Triângulo das águas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983, p. 37)

Adicionar comentário

Seu apelido/nome:
seu email:
Comentário (você pode usar tags HTML aqui):
 

Show Other Articles Of This Author

Banner