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antiode ao jornalismo brasileiro

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há urubus no ar como aviões de carreira

a praça chacoalhada das forças policiais vira arena nas palavras das revistas de fofocas do jornalismo brasileiro nas palavras da exploração semântica das emoções alheias nas palavras comprometidas dos conhecidos falcões que bebem das aves de arribação

com o ai jesus o ai jesus o ai jesus acrítico de acrílico voltam a empavesar como pavões as berlindas das cadeiras de palha sobre o deque das piscinas e do rio embelezado e recantado nos requintes das requentadas freguesias sempre afeitas ao eu quero é o meu

há no ar urubus de carreira como aviões de guerra

a praça implatinada ruge como rugem as vozes dos helicópteros sobre o bulício das meninas e meninos que se afiguram garibaldis redivivos no beijo e na paixão dos corpos soltos nas refregas de amor e ódio e se beijam e se comem os meninos e meninas nos amplos amplexos das praças públicas

as vozes dos algozes da moralidade e do absurdo da pressa capitaneiam nos abusos linguísticos (muito mal escritos) a rendição no campo das opiniões dos achismos puros e abusam da linguagem como os velhos poetas parnasianos como os velhos senhores párocos como os velhos advogados de toga e porrete

há urubus no ar

e fedem a mijo

e fedem

a sangue coagulado das torturas do assassinato do desaparecimento nas amplas águas do horizonte para pagar com o lucro de suas fidúcias burladoras de imposto um estar no mesmo ask ask com que abatem meninos e meninas sem programas nas longas tardes do tédio imposto pela necessidade pela mentira arredondada aos desígnios dos chefes do poder

o jornalismo fofoca desdobra-se nas páginas do jornais televisivos nas novelas do fim de noite apela à intuição dos natimortos abatidos pela miséria das instituições que insistem na ignorância na incapacidade empavonada de salas de aula pífias como livros de autoajuda

há urubus

horror

e ódio

 

nas motocicletas que pedalam aterradoras matanças do outro

nas balas de borracha

nos morteiros de pimenta

no extermínio programado

 

sobre o corpo do menino nu

sobre a praça

sobre a história dos desvalidos dos negros dos índios

 

assassinados

 

sobre o corpo das putas dos travestis das empregadas domésticas

sobre o corpo dos subempregados

sobre o corpo dos viciados

 

nas águas profundas de conrad

o horror

 

na selva selvagem da exploração

o horror

 

o horror

almoça e janta ao nosso lado

 

aos berros e de cara solícita

 

o horror se disfarça

 

em soluções inúteis

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