e também desdenhar das saras shivas
da troca de nomes
da troca de papéis
ou, como chamar urubu de meu louro,
preferir o insosso da inevitável marola
às cores psicodélicas das rirocas
às cores fortes – não matizadas – das roupas da aurora mochila, chinela às cores das estradas cumpridas ao acaso da lua ao acaso das borboletas ao acaso
do que desse e viesse.
e mesmo que shivas ou saras – tantas as tradições – o apelo das rirocas da graça indizível da cócega da risada fincada no corpo que ri
se perde para sempre
a nova nomeação da falsa índia
trava a língua uma outra índia – edênica –
sonhada?
e deixa passar o tédio deixa
dormir o insensato
deixa cair o pano / naufragar o barco
fechem-se as cortinas da constipação
as saras shivas são limpas
não possuem narizes que escorrem
não possuem o feliz catarro das crianças
no barro na terra
passam longe das tosses passam longe
do corte de luz
do corte de água
do corte da vida
redomadas
essas saras shivas
têm nojo
são ceteíticas, entubáveis
os balões de oxigênio são sua morada
como os altares assépticos são a morada
dos deuses inconsúteis
ao não me toque dessas moças shivas
à descrença no tabaco
à descrença na tabaca
ergo cicuta e despudor
a mão trocada de velásquez o bobo anão
a imagem em movimento pelas ruas lamacentas
pelo brim sujo de bandeira
ante as virgens cem por cento
as tabelas de cosseno ergo a pluriface
periódica do amor sujo e combinável
através do vento
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A sua pergunta final e a referência a Drummond é que me emociona. Será que deveríamos acreditar nesse resíduo, que ora é nostalgia, e investir nele como matéria poética, contestadora do mundo atual? Ou o discurso disso resultante pode ser tomado como simples ressentimento frente à derrota? O passado está lá, tudo bem. Mas o problema talvez seja outro, para ficarmos numa canção do Chico: quem é que se lembra "do futuro que a gente combinou?"
Ja fiz um comentario a essa antiode do Oswaldo no blog dele. De alguma maneira, está de acordo com a primeira parte do seu comentario (saudosismo, nostalgia, etc.).
Mas, como acompanhei a escolha da então menina Riroca, já que ela era contemporânea de escola de minha filha, me supreeendeu, na época, como a menina escolhia um nome ainda ligado as escolhas da mãe. Por que não se teria decidido por Lucia, Jussara, Selma, ou qualquer outro nome brasileiro? Claro que abandonou o humor do seu nome originário, que há de reconhecer que era ofensivo e provocava no mínimo umas terríveis brincadeiras na escola. Mas continuou na esfera new age da mãe, de toda maneira. Ou seja, nada de rebeldia, como ocorre com outros rebentos de nossa geração, que vão ao extremo oposto - vide o filme " A Culpa é do Fidel", por exemplo. Estaria na escolha da Sara Shiva o germe do sectarismo releigioso a que depois se integrou? Estaria ela repetindo a figura da mãe? Ou sua família estaria num extremo tal que não dava pra integrar-se no resto da brasileirada? Quanto ao resto, de acordo: perdemos a batalha pro consumismo e toda a "diferença", mais cedo ou mais tarde, se transforma num novo segmento dele, com sua indústria correspondente. Mas haverá outra maneira de resisitir? E sempre, como já nos disse Drummond, " de tudo fica um pouco". Quem sabe muita nostalgia, na Sara Shiva atual, da sua infância hippie?
Quanto aos nomes que você cita, o Nani, cartunista, que tambem tem um filho, acho, com um desses nomes, disse uma vez que as festas de aniversario de nossos filhos eram sempre a Ultima Ceia de Cristo....
1- há, nas antiodes não só um saudosismo, como até certa nostalgia, a dor da perda de um processo libertário político e comportamental, identificado com os revolucionários anos 60, que as contastações e os ícones ilustrados nos poemas levam a crer que se estagnou, ou simplesmente foi cooptado pelo capital. Aqui fica meio evidente que a troca de nome da personagem ilustra esse movimento e, como diz o poema, recoloca o comportamento contemporâneo a partir de outras e tantas tradições.
Menos ruptura (que vai se singularizando, quiça se estigmatizando) e mais tradições (uma reinvenção da pluralidade e a defesa da tolerância). Isso pode não resultar bem no que pensamos.
2 - Apontava eu ao Oswaldo (e daí a dedicatória que muito me honrou) como, entre os nomes das crianças de hoje, aumentou a frequência daqueles de inspiração bíblica ou religiosa, como os apóstolos, os evangelistas, ou os anjos e arcanjos: mateus, tiago, lucas, gabriel etc. E que isso indicava certa tendência ao conservadorismo na sociedade de hoje.