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Home Oficina Antiode antiode para ivete sangalo

antiode para ivete sangalo

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as folhas secas do nelson o encanto da paisagem
as velhas senhoras suricas nelmas clementinas
o moreira da silva
o monarco
o chapéu de palha
a barra da saia

não são pau pra toda obra

constroem seu canto nas páginas ocultas dos guardanapos nos fundos de quintal na mesa de bar vendem seus sambas seu gogó até os oitenta noventa anos e nunca ganham para gastar para comprar os móveis da casa pegam empréstimos imaginários

quando morrem o morro faz surdina de cavaquinhos e violões

custam a sair nas páginas eletrônicas custam a dançar e mostram certa timidez quando alguma luz reflete sobre o corpo rude de cantores experimentados nos subúrbios nas feiras de peixe nas lavandas de carros são os cantores de sacola os cantores zicartolas que extravasam modulações inesperadas no peito na letra na forma de tocar

a moças que requebram baianas – não as falsas baianas – zagalos que não largam o osso e que substituem os joões os garrinchas os maradonas – são como os cartolas malfadados dos tristes trópicos que cantam e vendem pra todo lado.

as moças que requebram baianas – não as falsas baianas – fazem plásticas fazem ginástica e não possuem o balaio mole como as morenas de aldir, paulinho, guilherme as modulações claras mais parecem marchas militares que fundam a alegria onde não há que fundam as músicas como desfiles de misses que lêem e lêem

os pequenos príncipes
os harry potters
os paulos coelhos
depois pensam em entrar para as academias do samba
que nos livre o tempo!
destas moças sangalos
destas moças hebe camargos
com suas jóias vexatórias
e selinhos de vozes
sem taquara rachada


que amam os caça-níqueis robertos
os caça níqueis da cultura dos paga-jabá
que amam andar de avião
as lulíticas senadoríticas deputadíticas ministeriíticas moças

que se encantam das besteiras que dizem com cara séria
como se descobrissem o mundo
como se descobrissem a roda
como se descobrissem a mola

ou redescobrissem o trouxa

 

Comentários (6)
6 Qua, 26 de Agosto de 2009 01:54
Fabiana Melo Sousa
Olá. Sou a Fabiana de Manguinhos.

Os comentários de vocês são muito difíceis e eu não conseguiria sugerir nada. Só posso dizer se gosto ou não como sugeriu Monet.
Achei muito foda a intiode para ivete.
5 Seg, 10 de Agosto de 2009 16:32
Oswaldo Martins
Jef, essa história daria uma antiode para Marisa Monte
4 Sáb, 08 de Agosto de 2009 16:03
Jef
O que me lembro é da Teresa, logo a Teresão, que comunicou que teria uma participação da Marisa no show dela aquele sábado. A Maura espalhou. Ou será que foi a Maura...
O fato é que durante o show chegou a Velha Guarda. A “original”. Da minha Portela. Chegou. Cantou. Brilhou.
Aí chegou a Marisa. Ofuscou.
Ela é branca. Jovem, bonita. Brilha muito. Ofusca.
Chegou, cantou, brilhou e se foi. Em um grande possante importado.
Ficou a Velha Guarda.
Cantou a noite toda, se esbaldou. E se foi.
Amontoados em uma minúscula van. De volta a Madureira. De volta a cozinha.

Beijos e parabéns pelo maravilhoso espaço do qual sou fã. Jef
3 Sex, 24 de Julho de 2009 14:49
Alexandre Faria
Oswaldo, a primeira parte é uma verdadeira ode. Me emocionou muito. É muito sensível a sua pegada para representar os artistas, os que não são "pau pra toda obra".
Ecoa aquele discurso do "Grande ditador": "não sois máquinas, homens é que sois". Sempre me impressionei com a capacidade PRODUTIVA da Ivete - a mulher é uma máquina de cantar. Nesse sentido a PRODUÇÃO se opõe diretamente à CRIAÇÃO. O NEGócio e o ÓCIO.
Quanto ao verso do ita/ítica não vejo muita solução para o conjunto. A antiode tem em sua definição em excesso que leva a esses impasses. Eu tentaria alternar sufixos, lulita é muito bom, mas talvez não funcione como adjetivo. Para ministério, acho que cai bem uma consoante de ligação miniteriliticas.
2 Sex, 24 de Julho de 2009 13:28
Oswaldo Martins
André,
obrigado pelos comentários. Vou testar a sugestão do -ita, ver como fica o ritmo etc. Mas não seria lulitas, senadoritas deputaditas e ministeriitas? Tenho que ver se a mudança do acento tônico não prejudica - passar do pro para a paroxítona. Porter, óbvio.

Abraço,
1 Sex, 24 de Julho de 2009 02:46
André Capilé
não sei se é porque tão reta e na cara essa anti-ode... que me pegou!
só não curti isso aqui: "as lulíticas senadoríticas deputadíticas ministeriíticas"... será que se o final fosse em -ita, dava outra onda? "lulitas, senadoritas, deputadicas, ministeridicas (essa acho sem conserto pro concerto!)"... sei lá.
E conserta o "potter", tá "porter".

abraços.

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