as folhas secas do nelson o encanto da paisagem
as velhas senhoras suricas nelmas clementinas
o moreira da silva
o monarco
o chapéu de palha
a barra da saia
não são pau pra toda obra
constroem seu canto nas páginas ocultas dos guardanapos nos fundos de quintal na mesa de bar vendem seus sambas seu gogó até os oitenta noventa anos e nunca ganham para gastar para comprar os móveis da casa pegam empréstimos imaginários
quando morrem o morro faz surdina de cavaquinhos e violões
custam a sair nas páginas eletrônicas custam a dançar e mostram certa timidez quando alguma luz reflete sobre o corpo rude de cantores experimentados nos subúrbios nas feiras de peixe nas lavandas de carros são os cantores de sacola os cantores zicartolas que extravasam modulações inesperadas no peito na letra na forma de tocar
a moças que requebram baianas – não as falsas baianas – zagalos que não largam o osso e que substituem os joões os garrinchas os maradonas – são como os cartolas malfadados dos tristes trópicos que cantam e vendem pra todo lado.
as moças que requebram baianas – não as falsas baianas – fazem plásticas fazem ginástica e não possuem o balaio mole como as morenas de aldir, paulinho, guilherme as modulações claras mais parecem marchas militares que fundam a alegria onde não há que fundam as músicas como desfiles de misses que lêem e lêem
os pequenos príncipes
os harry potters
os paulos coelhos
depois pensam em entrar para as academias do samba
que nos livre o tempo!
destas moças sangalos
destas moças hebe camargos
com suas jóias vexatórias
e selinhos de vozes
sem taquara rachada
que amam os caça-níqueis robertos
os caça níqueis da cultura dos paga-jabá
que amam andar de avião
as lulíticas senadoríticas deputadíticas ministeriíticas moças
que se encantam das besteiras que dizem com cara séria
como se descobrissem o mundo
como se descobrissem a roda
como se descobrissem a mola
ou redescobrissem o trouxa
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Os comentários de vocês são muito difíceis e eu não conseguiria sugerir nada. Só posso dizer se gosto ou não como sugeriu Monet.
Achei muito foda a intiode para ivete.
O fato é que durante o show chegou a Velha Guarda. A “original”. Da minha Portela. Chegou. Cantou. Brilhou.
Aí chegou a Marisa. Ofuscou.
Ela é branca. Jovem, bonita. Brilha muito. Ofusca.
Chegou, cantou, brilhou e se foi. Em um grande possante importado.
Ficou a Velha Guarda.
Cantou a noite toda, se esbaldou. E se foi.
Amontoados em uma minúscula van. De volta a Madureira. De volta a cozinha.
Beijos e parabéns pelo maravilhoso espaço do qual sou fã. Jef
Ecoa aquele discurso do "Grande ditador": "não sois máquinas, homens é que sois". Sempre me impressionei com a capacidade PRODUTIVA da Ivete - a mulher é uma máquina de cantar. Nesse sentido a PRODUÇÃO se opõe diretamente à CRIAÇÃO. O NEGócio e o ÓCIO.
Quanto ao verso do ita/ítica não vejo muita solução para o conjunto. A antiode tem em sua definição em excesso que leva a esses impasses. Eu tentaria alternar sufixos, lulita é muito bom, mas talvez não funcione como adjetivo. Para ministério, acho que cai bem uma consoante de ligação miniteriliticas.
obrigado pelos comentários. Vou testar a sugestão do -ita, ver como fica o ritmo etc. Mas não seria lulitas, senadoritas deputaditas e ministeriitas? Tenho que ver se a mudança do acento tônico não prejudica - passar do pro para a paroxítona. Porter, óbvio.
Abraço,
só não curti isso aqui: "as lulíticas senadoríticas deputadíticas ministeriíticas"... será que se o final fosse em -ita, dava outra onda? "lulitas, senadoritas, deputadicas, ministeridicas (essa acho sem conserto pro concerto!)"... sei lá.
E conserta o "potter", tá "porter".
abraços.