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Home Oficina Antiode antiode para maria da graça

antiode para maria da graça

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e quando me sugeriram escrever homenagem ao que se foi
para o quinto dos infernos
com uma espécie de quinta das moléstias
o peter pan comedor de crianças quinto dos jacksons
achei injusto
incensar rei póstumo (que não se iniba quem o queira)
em meio a tantos vivos de meia tijela
em meio a reis e rainhas meeiros da fama
achei impróprio
homenagear o comedor de crianças que não passou de uma criança comida
e nem morta escapa às sevícias do mercado (que mortos se vendem melhor os ídolos)

com tantos verdadeiros comedores
que menos por pedofilia
mas por senso do sucesso
por tino de marketing
por faro do dinheiro
vêm comendo as crianças do Brasil
 
são em geral rainhas louras essas marias
(ultimamente dividem o osso com as afrodescendentes e as amarelas)
boas aprendizes do macartismo
verdadeiramente merecem a fama outrora injusta dos comunistas
comem cabeças de crianças,
fabricam toucas ocas as guruas de loris lambys 
os abravnéis fáusticos huks e gugus sem troféu abacaxi 
infantilizadores de adultos 
as hebes dos selinhos sem lábios
as angélicas desafinadas de estúdio
as louras sem papas na língua que longe da língua-mãe saem-se boas bajuladoras
dos sapos amulatados pelos gols e embranquecidos pela grana que ainda procuram a lua para se enamorar

louras que mais grana fazem para para investir no esquecimento de pornochanchadas
para pagar o apagamento da lama que faz meia com toda fama

e mais vender

sandalinhas da carochinha
roupinhas da carochinha
xampuzinho da carochinha
brinquedinhos no sexshop da dona baratinha
 
mas nenhum ratón sem dinheiro na caixinha
nenhum ratón desses que se esbaldam de feijoadas
desses que que sabem o valor de um bom toucinho
desses escaldados de ratoeiras, que sabem do gozo dos ócios e dos dias
nenhum ratón cai nos palpos das viúvas negras oxigenadas :
fazem sozinhas os filhos para mais vender a paparazzi

só as paquitas de paquete entregam sua cria à rapariga loura
a ladra de sonhos
a empobrecedora dos desejos
a escravizadora das louras do banheiro
só as paquitas das favelas
só os filhos dos paquitos de rua
entregam sua cria 

e ainda dorme em paz no circuito interno das mansões
com suas boas ações, seus micro-exércitos da salvação, suas ongs lançadas no ativo
 
mas os filhos dos filhos dos filhos dos desongados
dos desassistidos pelas fundações da fachadas
as crianças sem esperança
os últimos inimigos da escola 
os que não poderão nem cheirar o laptopinho made in china com que mafiosos do G8 entopem os camelódromos daqui

esses

sim

vão botar o bicho pra comer
 
 
Comentários (3)
3 Qua, 07 de Outubro de 2009 14:23
Anelise Freitas
Não entendi. Fui alfabetizada em INGLÊS!
2 Sex, 28 de Agosto de 2009 15:37
André Capilé
Beirando a histeria na boca da história, leio e sinto - e cinto apertado sem respiração possível na máquina vocal do poema - a ausência de quem presencia - outros atores, não o autor - REIficado o reinado de oxigenadas e pálidos anêmicos, todos mortos, sem silício para cinismo da cena, a mixagem picareta das micaretas sem língua (as hebes dos selinhos sem lábios / as angélicas desafinadas de estúdio) o toucinho pra engrossar o caldo e coro pra contentes dentes em mostruário megastore "que menos por pedofilia / mas por senso do sucesso / por tino de marketing / por faro do dinheiro / vêm comendo as crianças do Brasil". AntiOde de emergência, emergentes cuidem-se.
1 Ter, 25 de Agosto de 2009 17:19
Oswaldo Martins
Gosto demasiado da virulência ética que pespega nas costas do mercado o seu lugar definitivo: o lixo da história.

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