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Home Oficina Antiode # Discussão do projeto "Antiodes"

# Discussão do projeto "Antiodes"

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Comentários (7)
7 Sáb, 21 de Novembro de 2009 11:37
Oswaldo Martins
Vejam lá! As antiodes possuem uma estrutura visível:
copio trechos da André, que sem desmentir o p´roprio estilo, diz:

bababolas babarrolas babacus babacas

como antes se dizia:

as lulíticas senadoríticas deputadíticas ministeriíticas moças

ou:

No clube do Bolinha
Na discoteca do Chacrinha
No rádio da vizinha
Na cloaca da galinha

ou ainda:

– tylenóicos, aspirínicos, sonambúlicos, abulínicos, apolínios

Será essa uma das marcas do estilo antiode?
6 Dom, 27 de Setembro de 2009 05:08
Alexandre Faria
Uma imagem a que recorri numa das antiOdes (gostei desse O grande) e que diz uma idéia que é recorrente em várias outras: espólio do século 20.

AntiOde privilegia o discernimento de que há graves consequências na vida atual dos extremos que o século passado nos levou a vivenciar, que eram políticos. Hoje, os extremos ainda nos balizam, mas lamentavelmente substitui-se a politização da existência pela intolerância, as fobias e os dogmas.
5 Sáb, 29 de Agosto de 2009 14:06
Oswaldo Martins
Gosto da nomeação, umas mais óbvias outras mais escussas que visam um outro ponto que não o representado pelo nome. A antiode para Imelda marcos, na vrdade, é antiode para as nossas imeldas que usufruem do poder coronelístico da fazendas colonials espalhadas por aqui.
Drummond em um de seus poemas disse, nos tempos de guerra que a hora era de maus poemas, e de fezes. A antiode busca recuperar esses belos maus poemas da resistência ao medo, à obscuridade, ao achincalhamento das pessoas.
4 Sáb, 29 de Agosto de 2009 04:01
André Capilé
A AntiOde pode, na rasura, aparecer em reversão; mas o tom e o tino da "policrítica" mantém a pemba do poema. A reversão pode gerar um efeito-força de comparação - talvez inesperado - pulsionando o poema em ato, o que em alguns momentos estão na suspensão em potência.

O nome é um limite,certo; ms necessário como um perímetro. Contrapartida modaliza e orienta entrada e saída dos motivos da AntiOde; sim, que cada caso é um caso, mas sempre cabe a nomeação - não sei ao certo se é perde ou ganha. Possibilidade é dar nome às boiadas (toda sorte de situações que circunscrevem os objetos miniscularizados da AntiOde) e não aos bois... cabe dizer que nem toda boiada deve vir reta, senão cai no mesmo rio... aquele, que jacaré nada de costas. qualquer maneira ficamos, continuamos piranhas.
3 Ter, 25 de Agosto de 2009 19:28
Alexandre Faria
Uma coisa que me incomoda é o limite da explicitude do nome objeto da antiode. Alguns estão lá, estampados: paulo coelho, gisele büdchen e outros. Só a minúscula desparticularizando.
Outros estão maldisfarçados: maria da graça, carmem, senhora parker.

O quanto se perde/ganha nomeando explicitamente ou não nossos inspiradores? Sera que cada caso é um caso ou deveríamos partir para uma regra geral?
2 Ter, 25 de Agosto de 2009 19:22
Alexandre Faria
Algumas antiodes são reversíveis em verdadeiras homenagens. Apontei isso em na de Ivete Sangalo. A de Paulo Coelho não deixa de ser uma ode a Raul Seixas.
O que acham disso?
1 Ter, 25 de Agosto de 2009 19:14
Alexandre Faria
Um poema de Cortazar, "Policrítica na hora dos chacais", recentemente lembrado na Margem esquerda. Pode muito bem ser associado ao nosso projeto e enriquecer a compreensão das Antiodes.

Na nota explicativa do neologismo "policrítica", o autor do Jogo de Amarelinha informa que o ouviu pela primeira em francês, e lembra que, naquele idioma, o "cri" que se encaixa entre "poli" e "tica", também significa grito. E é esse acréscimo de sentido, que ele sempre entendeu no termo, que está presente também nas antiodes. Cito um trecho:

"Grito político, crítica política em que o grito figura como um pulmão que respira (...) Hoje deve-se gritar uma política crítica, deve-se criticar aos gritos sempre que se ache justo: só assim poderemos acabar com os chacais e as hienas"

O texto foi originalmente publicado em 1971. Lembro Belchior: "Sei, que assim falando, pensas que esse desespero é moda em 76...". Sei também que de lá pra cá foi se disseminando cada vez mais a descrença do grito. E que a crença numa ação pública, estética, política e efetivamente contestatória foi cada vez mais entendida como modismo ultrapassado.

Quem se propuser às Antiodes não pode cair nessa.

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