fizeste mal, senhora,
em expor assim o busanfã de deus
a conveniência entre o o privado
e as religiões de presídio
fizeste mal, senhora,
em obrigar teus súditos ao vexame
das carreatas vampirescas
em nome da moral e dos bons costumes
fizeste mal, senhora,
em reacender as fogueiras
da vaidade e do lucro
em estender o tapete vermelho
para teus pés mandões
o poder, senhora,
que nos livre, que nos livre!
ativa o sexo dos bajuladores
e aqueles que nunca trepam
se fazem garanhões
não por tua cona
por tuas pernas
e bonitezas
os que nunca trepam
nunca dormem de touca
por isso, senhora,
louvam que louvam
preferem o vinho raro, senhora,
ao cheiro adstringente do corpo
inventam caviar, champagne
e contas nos paraísos
fiscais
senhora, o poder
gosta de valsar
fazer suntuosos casamentos entre seus pares
alugam casarões, mansões
sugerem fazendas de barões
de conde joões
ou quando mais descarado, o poder,
senhora,
mais abre as portas dos salões
de despacho
e como fala, senhora,
aos borbotões, o poder
nunca se escandaliza
com o que declara
e como declara, senhora,
o poder de enganar os trouxas
ao insensá-los ao ataviá-los
de louvarinhas pretéritas, presentes
e futuras
o poder, senhora,
não tem vergonha na cara
melhor fora
que nos deixasse fora
senhora, senhora,
dos teus bota-fora
do espetáculo trágico
de seus senhores,
senhora,
a defender o improvável fruto
de tuas entranhas
senhora, que baste
a besta bosta
dos alicerces malfadados
das fundações dos seus palácios
que distribuem benesses
que distribuem malefícios
conforme a onda em que surfam
ah, senhora,
que ardas cheia de cancros
de furúnculos
dos corpos cansados da falência total
dos órgãos
e que a nós
a nós, senhora,
deixa-nos em paz
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