"a vida que eu queria livraria o Leblon"
(Rogério Batalha)
eles nem imaginam na praia lotada:
o lugar ao sol que a sorte lhes reservou
acaba de ser limpo por um rabecão
ah! os definitivamente inocentes
- estão em casulos e em seu córtex
matrix injeta uma vida como ela é
roteirizada por maneco com trilha de tom e chico, marina e antonio
pois que vivam essa vidinha da província
frequentem suas livrarias
(que todas as travessas já se mudaram para avenidas)
discutam nos cafés a entrevista do caetano
leiam seus policiais impunes
chamem o fonseca de zé rubem
refestelem-se da feijoada light, do café descafeinado, da coca descocainada e da caipirinha de lima da pérsia com adoçante
(estévia, é claro)
como quem extirpa um câncer
chamem a polícia para calar o bêbado chato
demitam por justa-causa a empregadinha atrevida
fujam do crime como quem planta pistas
distraiam seus medos como quem conta os corpos chacinados lá "comunidade" do pedreiro
e busquem no google (escondido das crianças) os poemas "pornográficos" do professor demitido da escola parque
venerem seus malucos célebres
gentileza gera gente lesa
não percam o programa do lobão
recitem os gracejos do chacal
mas não confundam bon vivant com marginal
(e atenção - é pra outro lado que a Heloísa Buarque está olhando agora, não cheguem atrasados, hein!)
e continuem a cantar
com bethania, martinho e com o Gullar,
inocentes definitivos,
no navio negreiro que entra ao largo
tem mó galera socando o pilão do poema
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